terça-feira, 22 de junho de 2010

A comunicação na sala de aula

Compartilhamos abaixo planos de aula da coordenadora pedagógica Carla Lopes, publicados no portal Onda Jovem e na edição 8, de julho de 2007. O tema das aulas era Comunicação. A idéia de Carla era propor atividades para analisar e debater com jovens a criação do espaço cidadão e a formação de identidades na mídia.
Na época em que os planos foram publicados, ela era professora do Colégio Estadual Professor Sousa da Silveira, no Rio de Janeiro e havia desenvolvido com seus alunos o projeto “Mídia: criação do espaço cidadão e formação de identidades”, que integrava o programa político pedagógico do colégio, o “Reflexões e Debates para a Consciência Negra”.
É essa experiência que ela se propõe a compartilhar nos planos de aula abaixo, tendo também como referência o artigo “Circuitos de Acesso”, publicado na revista Onda Jovem (e escrito por nós), na edição que trata da contribuição das mídias à educação juvenil. Para Carla, na era em que vivemos, da tecnologia da informação, educadores e educandos não podem de forma alguma receber reativamente as inovações tecnológicas. “Nos cabe aprendê-las e nos empoderarmos delas, produzindo através delas resultados que atendam às necessidades locais e façam a interlocução com o espaço global.”

AULA 1

TEMAS PROPOSTOS O que é mídia? O que funciona como mídia? O que são os veículos de comunicação? Como cumprem suas funções? Que investimentos necessitam para cumprir suas funções? A “quê”/ a “quem” a mídia serve?

OBJETIVOS
- Pesquisar o significado do vocábulo no dicionário e definir o conceito de mídia.
- Identificar tudo que funciona como mídia: de simples placas e faixas artesanais, camisetas e panfletos, carro de som, passando pelas peças publicitárias até os veículos de comunicação e informação (jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, sites na web).
- Identificar os processos de comunicação trabalhados via essas mídias: de que forma e em que escala elas atingem os públicos a que se destinam.
- Introduzir o conceito de comunicação de massa.
- Discutir a relação entre os processos de comunicação de massa, os investimentos necessários e o poder econômico.

ATIVIDADE EM SALA DE AULA
Montagem de um painel classificatório das mídias exemplificadas e seus respectivos alcances.

RECURSOS MATERIAIS
Panfletos de pequeno comércio, flyers (comunicação de eventos festivos e shows), camisetas, cartazes, bottons, adesivos, jornais comunitários, jornais de grande circulação, revistas e peças publicitárias impressas.

COMENTÁRIOS Sugiro que a atividade se inicie com a apresentação do material reunido para a aula, buscando saber o que nele os alunos classificam como mídia. Partindo da idéia de que o termo mídia é bastante difundido, é interessante saber como os alunos o definem e é necessário cotejar as respostas com o significado do vocábulo no dicionário. Com a definição do termo mídia é importante rever a classificação do material apresentado no primeiro momento da aula, podendo haver alguma revisão dela. Este é o momento para ampliar a lista dos exemplos. No exercício que fecha a atividade, proponho a confecção de um painel que relacione cada uma das mídias listadas, com seu funcionamento, seu alcance de público e comparando os investimentos necessários. Este painel baseará a discussão do conceito de comunicação de massa.

REFERÊNCIAS
Mídia e Meios de Comunicação Sociais http://www.dhnet.org.br/direitos/textos/midia/index.html
SOARES, Ismar de Oliveira. Gestão comunicativa e educação: caminhos da educomunicação in revista Comunicação & Educação. São Paulo: ECA/USP – Editora Segmento, Ano VIII, n. 23: 16 a 25, jan./abr, 2002.

AULA 2
TEMAS PROPOSTOS
A importância de discutir a mídia
Visões de mundo e implicações socioculturais
Liberdades: pensamento, opinião e expressão

OBJETIVOS
- Definir como ponto central e orientador deste conjunto de aulas as mídias jornalísticas.
- Evidenciar a influência da mídia nas esferas políticas, sociais, econômicas e nos padrões culturais e comportamentais.
- Apresentar os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal de 1988 que deixam claras as relações entre liberdade de pensamento, de opinião e expressão e a mídia.

ATIVIDADE EM SALA DE AULA
Formação de grupos para analisar os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD/IBGE), os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal de 1988 para entender a importância de discutir a mídia.

RECURSOS MATERIAIS
Textos impressos

COMENTÁRIOS Alcançada a compreensão de que mídia é a designação do conjunto de meios, veículos e canais de comunicação, minha orientação neste plano de aula é focar a discussão na informação jornalística. O primeiro passo para mostrar a importância de discutir a mídia é tomar alguns dados para revelar uma situação sobre a qual já ouvimos há tempos: os meios de comunicação de massa atingem mais pessoas e por mais tempo que a escola. Mais da metade da população brasileira não ultrapassou o ensino fundamental, em quantidade menor ainda estudou mais de oito anos. Contudo, cerca de 90% da nossa população possui rádio e televisão. A circulação de informações, e também de conhecimentos, fora do âmbito escolar, via mídia, é um forte dado na sociedade brasileira, daí a importância de se compreender seu peso na formação de comportamentos, modelos de conduta e visões de mundo, com suas conseqüentes implicações socioculturais. Diante destes dados e deste panorama é um momento ideal para se tratar do valor de uma mídia livre e democrática, plural e acessível, objetivando a igualdade e o bem-estar. Isto tem ampla base em artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Brasileira de 1988, que asseguram o direito a uma mídia democrática. É importante evitar qualquer simplificação do debate sobre a mídia, fugindo do dualismo “bem versus mal” e buscando o entendimento que a comunicação serve sim a vários interesses e que é sobre seu processo que deve haver uma leitura crítica, contando que crítica não é simplesmente uma valoração negativa e sim o exame e a análise criteriosa.

REFERÊNCIAS
Constituição Federal Brasileira de 1988 . Capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5º) . Capítulo da Comunicação Social (art. 220)
Declaração Universal dos Direitos Humanos – ONU (artigos XVIII e XIX) http://www.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm
Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD/IBGE) – Tabelas (Capítulo 3: Educação / Capítulo 6: Domicílios)
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2005/default.shtm
AULA 3

TEMAS PROPOSTOS
Processo comunicativo: produção, veiculação, recepção, percepção e uso das mensagens. Jornalismo: função, dimensão do trabalho na formação de opinião, objetividade, imparcialidade e ética.
OBJETIVOS
- Compreender o processo de produção jornalístico: as fontes, a reportagem, a apuração dos fatos e pesquisas históricas, a redação, a fotografia, a editoria, a redação final e a diagramação. - Entender a função do jornalista e suas dimensões.
- Distinguir tipologias/gênero de textos e linguagens: textos informativos, textos de opinião, textos de publicidade, textos literários e textos de entretenimento.
- Evidenciar a necessidade do gosto pela língua portuguesa e do desenvolvimento de habilidades de leitura, interpretação de texto e escrita.
- Discutir o uso social dos discursos dos meios de comunicação e sua apreensão pelo público.

ATIVIDADES EM SALA DE AULA
Análise e identificação da composição dos jornais. Análise e identificação da composição dos textos jornalísticos.

RECURSOS MATERIAIS
Exemplares de jornais de grande, médio e pequeno porte.

COMENTÁRIOS
O ponto inicial desta aula trabalha com exemplares de jornais para que os alunos entendam a sua composição desde a primeira página até os classificados e a sua organização empresarial. Sugiro que a turma seja dividida em grupos de no máximo cinco alunos para que a atividade seja bem realizada. O interesse é que façam uma análise do conteúdo e da forma: . Que notícias estão destacadas na primeira página? Que notícia tem a maior matéria? Que notícia tem mais matérias, artigos e editoriais? Que notícia está coberta com a maior foto ou com mais fotos? Que notícias têm charges? Que notícias têm os menores espaços? . Quais cadernos compõem os jornais? Que áreas de informação e conhecimento cobrem (política, economia, negócios, esportes, policial)? Que cadernos têm áreas específicas de interesse (cultura e artes, moda, saúde, informática, TV, bairro)? Quais áreas da informação e do conhecimento têm cobertura diária e quais áreas têm publicação periódica? Nestes jornais devem ser identificados os cargos e as funções das direções, das áreas executivas, das editorias e das redações e devem ser contados os jornalistas e fotógrafos que assinam as matérias, para se ter uma idéia da organização, do conjunto e da quantidade de profissionais envolvidos. Trabalhando com as notícias de mais destaque que tenham matérias jornalísticas, fotografias, infográficos, artigos, editoriais e charges, o professor pode distinguir os tipos (tipologia ou gênero) de textos jornalísticos: textos informativos e textos de opinião e ainda apontar outros tipos também presentes nos jornais, como textos literários, textos de entretenimento e textos de publicidade, para pedir que os alunos os identifiquem nos exemplares com que estão trabalhando. Tendo visto o jornal na sua grande forma e organização, creio que as atenções devem ser levadas para a matéria-prima dele, a notícia, e para o seu processamento: a cobertura do fato e sua apuração, as pesquisas de informação em variados tipos de fontes documentais, a redação da matéria, a análise e a orientação editorial, a redação final e a diagramação com a imagem fotográfica. Entendido este processo de trabalho, pode ser proposta a reflexão sobre como, partindo do mesmo fato, notícias diferentes, diversas e até antagônicas chegam ao público? Dando seqüência nesta reflexão pode ser proposta a discussão sobre o trabalho do jornalista e suas dimensões. Para finalizar a aula de forma encadeada, trabalhando com as matérias selecionadas e abrindo as questões sobre a recepção e a percepção das informações pelos alunos, sugiro que uma série de perguntas como as que seguem sejam feita para os grupos: . O título é condizente com o conteúdo e o desenvolvimento da matéria? . O texto jornalístico relata fatos ou se compõe também com as opiniões do autor? . Como os indivíduos relacionados aos fatos daquelas matérias e suas comunidades foram tratados e devem ter sido impactados pelas notícias? . Como pensam que a sociedade como um todo está se posicionando diante daquelas notícias?

REFERÊNCIAS
FARACO, Carlos Alberto. Português: língua e cultura, ensino médio, volume único. Curitiba: Base Editora, 2003.
MARTINS, Eduardo Lopes. Manual de redação e estilo de O Estado de São Paulo, 3 ed, ver. e amp. São Paulo: O Estado de São Paulo/Editora Moderna, 1997.
OLIVEIRA, Dennis. Fronteiras do jornalismo no espaço midiático: A real dimensão da função ideológica da informação jornalística Revista PJ:BR, São Paulo: ECA/USP, Edição 05, 1o. sem., 2005 http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/especial5_e.htm R
ROSSI, Clóvis. O que é jornalismo. São Paulo: Brasiliense,2000.

AULA 4
TEMAS PROPOSTOS
Organização e comunicação comunitária.
Protagonismo popular e participação cidadã.
Afirmação identitária e ideológica.
Veículos de comunicação com interesses segmentados.

OBJETIVOS
- Promover uma ampla discussão com questões para se entender a identificação dos indivíduos e de suas comunidades com os veículos de informação: . O que na(s) mídia(s) jornalística(s) expressa realidades vividas por você? . Os meios de comunicação podem ser meios de desinformação? Se realmente podem, como isto se dá? . Você confia nas informações veiculadas pela mídia? . Por que você acha que "notícias ruins" têm grande ênfase na mídia? Como acredita que isto funciona socialmente? . Você acha que todo cidadão pode desempenhar as atividades jornalísticas? Se cidadãos organizados produzirem um veículo de informação, acredita que este terá credibilidade?
- Apresentar as possibilidades de produção de informação fora dos grandes veículos.

ATIVIDADES EM SALA DE AULA
Leitura e interpretação de textos

ATIVIDADE EXTRA-CLASSE
Elaboração e montagem de jornal mural RECURSOS

MATERIAIS
Textos impressos Exemplares de jornais comunitários e segmentados

COMENTÁRIOS
Esta aula deve ser orientada para uma ampla discussão sobre a identificação dos alunos e suas comunidades com os veículos de informação: jornais, rádios, TVs, web sites, blogs e outros veículos que venham a ser listados. A proposta é levar os alunos a identificarem que, para além dos veículos de comunicação de massa, existe a produção de veículos de comunicação pela iniciativa de grupos sociais que não se vêem representados, bem como seus interesses, ou ainda, que desejam ser apresentados por si próprios e não sob a visão de outros. Feita esta identificação vale perguntar: por que estes grupos sociais têm esta necessidade? Distribua entre os alunos os exemplares de jornais comunitários e segmentados e solicite que façam um quadro comparativo entre os tipos de abordagem que eles apresentam e os contidos nos jornais de grande circulação. Estes grupos de comunicadores podem estar reunidos por várias razões: ideologia política, gênero, etnia, por gostos e modismos, por interesses comunitários e experiências comuns. É importante frisar que a busca por expressão própria e independente tem longa data e devem ser citados exemplos, como o do jornal "O Homem de Cor" fundado em 1833, primeira iniciativa da imprensa afrobrasileira. Para buscar a compreensão da significância da produção, vale a pergunta: podem-se resgatar informações factuais, compreender momentos políticos, entender contextos sociais através destes veículos? De posse do quadro comparativo entre os jornais comunitários e segmentados e os grandes jornais, sugiro que seja lançado o “desafio” para a elaboração de um jornal mural sobre a comunidade escolar. Caberá ao professor, com os conhecimentos da Aula 3, orientar a formação de dois grupos com a estrutura básica para a produção jornalística. A sugestão de ter dois grupos intenciona vivenciar as possibilidades que os mesmos fatos possam ser reportados de duas maneiras diferentes, com desenvolvimentos e ênfases particulares a cada grupo e gerar opiniões diversas.

Obs. 1: A indicação de um jornal mural é neste plano de aula uma maneira de equalizar esta experiência entre muitas realidades diferentes no que tange ao acesso a recursos. E ainda que os grupos de trabalho disponham de recursos melhores e mais sofisticados para a produção final, o jornal mural poderá ser encarado como uma experiência matriz para o trabalho em qualquer outro suporte tecnológico.
Obs. 2: A experiência proposta é muito viva e acredito que envolverá os alunos com grande estímulo e poderá ser finalizada de duas formas a partir da avaliação dos resultados pela turma: unificar os grupos para a produção de um trabalho final conjunto; manter-se os dois grupos com produções distintas.

REFERÊNCIAS
“Com câmeras na mão, indígenas lutam para manter tradição” (Agência Reuters) http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=982&Itemid=912
FACULDADES INTEGRADAS HÉLIO ALONSO – Núcleo de Educação e Comunicação Comunitária / NECC – Revista Comunicação & Comunidade (depot) http://facha.edu.br/necc/revista.htm
FOERST, Gerda Margit Schütz. A IMAGEM E IDENTIDADE: um estudo sobre a construção da visibilidade de negros e mulheres em imagens artísticas e na mídia www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/G/Gerda_Foerste_35.pdf
“Grande imprensa perde espaço para cidadão-jornalista” (Agência BBC Brasil) www.milenio.com.br/milenio/noticias/ntc.asp?Cod=867 GRUMIN http://www.grumin.org.br/
MARQUES, José Reinaldo. Jornalismo na prática - A luta para continuar independente (2/9/2005) http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=1164
PERUZZO, Cicilia M. Krohling. Comunicação comunitária e educação para a cidadania http://www2.metodista.br/unesco/PCLA/revista13/artigos%2013-3.htm
_______. Webjornalismo: do Hipertexto e da Interatividade ao Cidadão Jornalista http://www.versoereverso.unisinos.br/index.php?e=1&s=9&a=3
PINTO, Ana Flávia Magalhães. A imprensa negra no Brasil - momentos iniciais http://www.irohin.org.br/ref/inegra/20060530_01.htm
SANTOS, Cíntia Amária. O processo de alimentação da imprensa interiorana e a grande imprensa nacional. Revista PJ:BR, São Paulo: ECA/USP, Edição 05, 1o. sem., 2005 http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/dossie5_d.htm

AULA 5
TEMAS PROPOSTOS
Tecnologias de informação e comunicação Inclusão digital X exclusão social

OBJETIVOS
- Discutir a utilização dos equipamentos e facilidades tecnológicas como ferramentas de suporte a geração de conteúdos.
- Discutir o desenvolvimento de políticas que priorizem a utilização destes meios e não apenas o seu fornecimento.
- Discutir a importância de criar, planejar e implementar projetos que proporcionem oportunidades de indivíduos formarem e integrarem cadeias criativas e produtivas, promovendo caminhos autônomos e emancipadores.
- Desmistificar a forma de produção de informação e conhecimento em suportes tecnológicos como mais valorosos do que outras.

ATIVIDADE EM SALA DE AULA
Leitura crítica da letra da música “Pela Internet” (de Gilberto Gil)

RECURSOS MATERIAIS
Textos impressos

COMENTÁRIOS
A passagem do conhecimento foi e é vital para a sobrevivência e a evolução humana. A comunicação é a via de passagem do conhecimento: o gesto, a palavra e a escrita, em uma evolução crescente de linguagens. Sugiro no início desta aula listar com os alunos quais inovações tecnológicas foram usadas, a partir da criação da escrita, para a difusão de informação e conhecimento. Suportes de pedra e de tecido já foram grandes inovações que possibilitaram armazenar e circular informação e conhecimento. Há tempos existe um grande debate sobre o uso de tecnologias de comunicação no processo educacional, os tópicos eram o rádio e a TV. Educação e tecnologia sempre andaram de mãos dadas. Tecnologias são produtos de saberes. Em moto perpétuo alavancam a produção de mais saberes e estes a criação de novas tecnologias. Em um exercício rápido o professor junto com os alunos pode encadear um exemplo deste moto perpétuo. Este debate hoje atualizado fala sobre as tecnologias de informação, acrescentando no processo educacional: produção audiovisual (rádio e TV), computadores conectados à Internet, produção interativa e colaborativa. A Educação é responsabilidade do Estado com seus cidadãos e uma prioridade global. É indicadora de cidadania e fator de competitividade. Agora, no Brasil, antigas carências do sistema educacional encontram-se com urgentes demandas de modernização dos seus processos pelas tecnologias de informação. Por diversos fatores a tecnologia de informação tem grande apelo, e assim, um conjunto de políticas públicas de Educação, com recursos privados e governamentais, movendo-se com significativos esforços têm equipado escolas com computadores com acesso à Internet, com estúdios de rádio e com câmeras e sistema de edição de vídeo, ações que são conhecidas como Inclusão Digital, que estão no âmbito da Inclusão Social, que no seu panorama geral é trabalhada com Saúde, Educação, Emprego e Moradia. Sugiro que os alunos sejam convidados a opinar no que o acesso a tais equipamentos e recursos melhorou, está melhorando ou poderá melhorar efetivamente seu aprendizado escolar, suas possibilidades de colocação no mercado de trabalho e sua relação comunitária. Continuando com o estímulo às manifestações, sugiro que seja desenhado o quadro da realidade escolar local, com suas carências em ordem de prioridades para busca de soluções e de que maneira a Inclusão Digital contribui, ou pode vir a contribuir, para ações transformadoras, educacionais e sociais. Tomando a música “Pela Internet” de Gilberto Gil, para canto e interpretação do texto da letra, sugiro que se proponha a reflexão sobre em que medida as políticas de Inclusão Digital estão preparando os alunos para criarem caminhos autônomos e emancipatórios e se relacionarem com cadeias criativas e produtivas.

REFERÊNCIAS
LOFY, Willian. Inclusão Digital X Analfabetismo http://www.direitonet.com.br/artigos/x/20/25/2025/
NAZARENO, Cláudio (e outros). Tecnologias da informação e sociedade: o panorama brasileiro. Brasília: Câmara dos Deputados, 2007 http://www.camara.gov.br/internet/infdoc/Publicacoes/html/ pdf/tecnologia_info.pdf PARENTE, Cristiane. Circuitos de acesso. In revista Onda Jovem, Ano III, n. 8, julho-2007.

AULA 6
TEMAS PROPOSTOS
Democratização da mídia: participação cidadã
Sustentabilidade

OBJETIVOS
Apresentar para a comunidade escolar o Jornal Mural elaborado pelos alunos

RECURSOS MATERIAIS
Espaço em que se possam acomodar alunos, professores, funcionários e convidados.

COMENTÁRIOS
Os alunos deverão mobilizar a comunidade escolar para a apresentação do resultado da experiência de produção do Jornal Mural. Os integrantes da equipe do Jornal Mural deverão relatar suas experiências, explicando as suas funções e tarefas e as fases de trabalho necessárias para a produção, de modo a deixar claro para todos na escola o processo de concepção e gestão do seu veículo. Será importante o professor alertar aos alunos, neste momento de lançamento, que tenham o entendimento de que um veículo de comunicação vive dos seus leitores, ouvintes e expectadores, assim sendo esta pode ser a ocasião de se criar a essencial relação entre a comunidade escolar e o jornal, o que pode ser feito com o estabelecimento da simpática seção de cartas, como espaço para a publicação das manifestações dos leitores. Na mesma linha de relacionamento com o público, conforme a maturidade que a equipe revelar, poderá ser criado o cargo de ombudsman, membro da equipe do veículo de comunicação que é responsável por receber dos leitores críticas, queixas e denúncias de erros, desvios e abusos e investigá-los, respondendo de forma independente no próprio veículo. A continuidade do trabalho, sua consistência, a conquista e a fidelização de leitores podem apontar para um crescimento do jornal e propiciar aos alunos uma visão de empreendimento, para o qual eles terão que buscar a sustentabilidade, o que vai requerer que eles planilhem suas ocupações de tempo e necessidades de recursos materiais e elaborem um plano de negócios para fazerem a captação de apoios institucionais e/ou financeiros.

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